Muitas pessoas acreditam em destino, eu nunca acreditei muito, agora menos ainda. Primeiro porque se há destino, não há escolha, então, qual a diferença entre tentar conseguir qualquer coisa que você quer e simplesmente não tentar?
Se tudo está traçado desde sempre, pra que tentar mudar algo? Se está escrito nas estrelas, no tarô, nos búzios e nas tripas de bode que eu serei um grande qualquer coisa, eu, involuntariamente, serei, querendo ou não, lutando ou não.
Segundo, porque um dia desses dias tinha como destino ser uma grande merda.
É o típico dia que você acorda com dor de cabeça, não consegue tempo de fazer café de manhã e recebe um volume alto de trabalho que não é resolvido na primeira tentativa, nunca.
Você engasga no almoço e quase é atropelado depois, pisa numa poça d’água e toma chuva.
Uma velha acerta o guarda-chuva no seu olho e um galho enrosca no seu cabelo, a tinta da caneta acaba e os envelopes de depósito também. O caixa eletrônico está com problema, o outro dá pau, o do lado não realiza depósitos.
O elástico arrebenta e deixa uma marca gigantesca (proporcional a dor) na sua mão. O cadarço desamarra, mas você só percebe quando quase cai de boca no chão. O número da conta do Santander está errado. É no Banco Real. O número do Banco Real está certo, mas a fila é imensa.
Você não tem a guia. O protocolo saiu errado, e a cópia não pode ser autenticada.
O gerente está em reunião, a outra está almoçando.
Você está se preparando para ir embora, te ligam, tem que ir lá no Quarto Cartório Eleitoral Federal Setentrional de Registo de Títulos Protocalados e Homolagos da Sexagésima Nona Vara Estadual da Justiça do Trabalho pegar “um papel lá, só falar teu nome”.
Você vai, xingando, esbravejando, amaldiçoando, protestando e quase chorando, quando algo literalmente brilha no seu horizonte.
Na verdade é no chão, mas “horizonte” é mais poético.
Você se abaixa, curioso para saber o que é.
Vinte centavos.
Você quase xinga, mas depois ri, pega as moedas, e jura que nunca vai gastá-las. De uma forma estranha, elas livraram esse dia de uns desses dias que estava destinado a ser uma grande merda de seu destino.
Elas mais pareciam uma resposta, é estranho pensar assim, mas você percebe que, pode ser a situação que for, por mais irritado e depressivo e mau humorado e insuportável que você esteja, sempre vai ter algo, ou alguém, ou os dois para chegar, te dar um tapa na cara e dizer que coisas boas podem sim acontecer. Que elas sempre acontecem, aliás. E isso não depende de destino, e sim de outra coisa.
E aí, você percebe que vinte centavos, na verdade, constituem uma fortuna.
PS: Esse post (principalmente o começo) não quer embasar ou começar uma discussão filosófica. Todo o começo é, na verdade, calcado em argumentos rasos e fracos. Até porque esse é o tipo de discussão que não leva a lugar nenhum, por melhores e mais bem fundamentados que sejam os argumentos. Trata-se de crença. Nem sei porque fiz esse PS, mas enfim.

17 palhaçadas:
Eu acredito que a gente faz nossas escolhas, não gosto de pensar no destino, acho que seria injustiça da parte de deus.
E eu adorei seu post, como sempre.
Oh... tem selos pra vc no meu blog, olhe lá depois ;)
E quando a gente acha cincão e o cara inda diz que sabe o que é? :D:D:D:D
Te amo!
é toda quantia achada é uma fortuna.. *-* .. lembro quando já achei 5 centavos.. rs
Oiiee!!
tem selos para vc!!
http://historiasdepamela.blogspot.com/2011/01/selinho-2.html
kisu
Bom, quem nunca teve um dia ruim? aospkasoapsk'
Falando em dinheiro no chão, outro dia vi 2 reais no chão, quando fui pegar uma mulher apareceu (do nada) pegou a nota, deu uma risadinha pra mim e saiu andando... Pois é, foi uma coisa bem triste --,
Beijos Henrique aoapskok
Ótima postagem.
Te desejo um bom final de semana.
abraços
Cuuuurti mt o blog. to seguindo. Ganhou um leitor de plantão :D
Esse post mostra bem o quanto é importante ver o lado bom de tudo que nos acontece, ver que nem tudo é tão ruim como parece, e saber que mesmo se estiver ruim, a vida é assim, fazer oq né?
Nossa, iso realmente aconteceu? auhUhau
Que falta de sorte...
Abraço
vc fez esse PS pq não quer debates e discussões acaloradas nos comentários (Y)
hahaha
Sem essa de destino mesmo, rs.
Nada como vinte centavos pra salvar um dia tão tão tão revoltante!
Pequenas coisas, como os vinte centavos, podem mostrar que o melhor pode estar nos detalhes e que cada opção que você faz é que muda sua vida. Rir da própria desgraça por exemplo.
Você pode simplesmente aceitar um dia de merda, ou rir dele né.
Beijooooooooooooos
*Pensando em meus argumentos brilhantes para começar uma discussão filosofica e tals* #paray'
Na verdade, concordo com vc nesse lance de destino e tals :D
Admiro o seu otimismo, eu teria pisado na moedinha sem dó nem piedade e ido lá xingar o cara do cartorio eleitoral não sei das quantas. kkkk
:*
Isso me lembrou um conto de Machado de Assis chamado "O Último Capítulo", onde ele compara a felicidade a um par de botas, bem, se você nunca leu esse conto, talvez quando tiver tempo deve fazê-lo...
Enfim, a felicidade está mesmo em coisas pequenas e pessoas comuns e é isso que nos mantem vivos a final de contas.
Escrevendo bem como sempre Henrique, que dia terrível o seu, mas viu...sempre rende boas histórias.
Beijos
Depois de viver as loucuras do dia a dia... Ler o palhaçadas a parte acaba qualquer stress. Me divirto com as suas tiradas inteligentes!
Bjusss
Tem même pra você no meu blog =D
Tem même pra você no meu blog =D
ta vivo?
Seu blog é muito bom, incrivel mesmo, segue o meu tbm pf.
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