sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

“Em tudo dai graças”

É estranho admitir isso, mas eu tenho um problema sério com a palavra “obrigado”.

E não, não pense que sou um ingrato, que nunca agradeço as pessoas ou coisas do tipo, o problema é justamente o contrário, eu falo “obrigado” em qualquer ocasião. Se eu pago alguma coisa e a caixa me diz “obrigado” eu, como um ser humano normal, não respondo “de nada” eu falo “obrigado”, de novo, revertendo toda a ordem lógica que o universo instituiu para o relacionamento civilizado entre as pessoas.

Outro exemplo, dia desses eu pedi para o motorista segurar um pouco o ônibus para uma mulher que vinha correndo alucinadamente não perdê-lo, fiz isso sem entrar no veículo, olhando para a mulher, logo, ela percebeu que o motorista esperou porque eu pedi, quando ela chegou, muito cavaleiro que sou, deixei ela passar na minha frente, ela me lançou um sorriso, uma vez que não conseguia falar devido ao seu alto grau de esbaforimento, eu, muito educado, lhe disse…Obrigado!

Isso, sem mais nem menos, analisando friamente a situação, constatamos que eu agradeci a mulher por ter segurado o ônibus para ela e deixado que ela passasse na minha frente, é meio que um “obrigado pela oportunidade que você me deu de ser educado”.

Eu não entendo porque isso acontece, talvez porque eu, sempre disposto a fazer novas amizades, tenho pavor de conversar com pessoas aleatórias, e jogo a primeira expressão educada que vem a minha mente: Obrigado.

Mas, o fundo do poço, aquilo que está me fazendo pensar seriamente em buscar tratamento, aconteceu hoje.

Estava eu bem feliz e animado trabalhando, quando uma mulher da recepção que eu não via ha dias entra na sala onde labuto diariamente, eu, que fiquei um tanto constrangido com a presença dela ali, pensei em falar algo.

“A senhora sumiu, hein!”

“É, pois é…estava de licença”

Ela falou isso com o maior desânimo do universo, pensei comigo que ela estava super doente e, coitadinha, ainda não se recuperou totalmente.

“Ah…”

Foi só isso o que consegui dizer, não teria coragem de perguntar o porque da licença dela, e também não estava nem um pouco interessado. Eu só queria que ela fosse logo embora e aquela conversa chata e burocrática acabasse. Mas ela sentiu, sabe-se lá porque, que me devia algum tipo de satisfação, e lançou uma bomba:

“Minha irmã faleceu…”

E EU COM ISSO? Sério, eu não queria saber, a situação estava insuportável, e você vem e me diz que sua irmã morreu? Logo pra mim, o rei do traquejo social?

Meu cérebro entrou em parafuso, eu não fazia idéia do que responder, e, então, ativei o comportamento padrão:

“Ah, poxa…Obrigado!”

Constrangimento eterno.

10 palhaçadas:

Pamela Dal'Alva? disse...

Caramba! que situação.. voce supera

Gabriela Petrucci disse...

Henriquedocéu! Pior que eu imagino a sua cara! Que que a mulher fez/falou?
Eu sempre achei engraçadinho esse seu problema com "obrigado", mas realmente, dessa vez foi sério! :O




te amooo!

Gabriela Petrucci disse...

Só mais uma coisa, como diria o Sheldon: "there, there!"

Jéssica Trabuco disse...

huauhauahuaha...

=x

Desculpa rir tá? Mas é impossível não imaginar a cara que a mulher ficou e vc tbm depois de perceber o que fez.
Nossa, depois dessa eu sumia, velho!
rss

nina . disse...

só tenho uma coisa a declarar: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Laurie. disse...

senti pena de vc agora. Não, acho que senti MAIS pena da mulher hahaha

Tuanny disse...

Olá Henrique, achei seu blog por ai.Parabéns, vc escreve muito bem. Até agora li apenas dois post e adorei os dois. Continuarei acompanhando.
AH! saiba que também já me encontrei em algumas situações parecidas com as suas... sempre sai um "obrigada" na hora errada.

:)

Rafael disse...

aHUhauaHuaHaUhaUha
Obrigado, cara, realmente, que situação.
Obrigado.

Marcella Leal disse...

Nossa...
Eu nunca sei o que dizer qundo me falam que alguém morreu, ai eu fico com aquela cara de bunda "Meus pezames", enfim, é tenso, mas não é pior que Obrigado... mas foi um Obrigado, tipo "Obrigado por ter confiado em mim para contar."

Beijos e para de ser educado.

Mayara Buss disse...

situações sociais constrangedoras são complicadas, eu já passei por algo parecido.
cheguei pra um amigo e zuei ele, q a namorada dele tava esperando há horas, e tava mta brava com ele, q ele era um tratante, e ele solta, "meu vô morreu". PQP e era sério

 

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