domingo, 17 de outubro de 2010

O Dia da Caça ao Personagem Desconhecido

Foi hoje, estava com vontade de escrever algum conto, então resolvi que escolheria uma pessoa qualquer, que entrasse no ônibus, ou que eu visse na rua e escreveria sobre ela.

Pois bem, o motorista do ônibus eu deixei passar, tinha cara de chato. Talvez aquela velha sentada no fundo, mas achei melhor não, seu rosto era muito sofrido, possivelmente sua história ficaria triste demais.

A moça, seria ela! Sentada dois bancos na minha frente, ela praticamente pedia pra entrar em um conto, sabe aquele rosto de quem não é feliz, mas que também não é triste? Rosto de quem ri, mas ainda assim tem milhões de motivos pra chorar? Algo me diz que aquela moça procura um amor, algum cara legal, que assista filmes junto com ela, e que diga que sem ela, seria nada.

Mas, de repente, alguém na rua me distraiu, pensei que fosse um conhecido, não lembrei quem, não era.

O que eu falava da moça mesmo?

Melhor então passar para a aquela mulher e sua filha, mas nunca sei escrever direito sobre crianças, o que será que aquela ganhou dia doze? Não sei, e nunca saberei, fato é que crianças são difíceis, eu acho.

Procurei mais alguém interessante no ônibus, ninguém. Começou a tocar uma música do Iron Maiden que eu gosto no MP4, não que eu não goste das outras, mas daquela eu gosto muito. Escutei, cantarolei e, se duvidar, até chacoalhei um pouco a cabeça.

Aí lembrei que naquela hora, naquele ônibus, eu era um escritor, alguém que procura personagens entre as pessoas, alguém que extrai o mais íntimo de suas almas sem conhecê-los e sem nunca vê-los novamente.

Mas é foda, às vezes vejo alguém, uma situação, ou escuto uma frase, e aquilo é uma história pronta, mas eu não procuro, esse tipo de coisa simplesmente me encontra, e não foi hoje.

Ainda tentei mais um pouco, até uma história sobre um cachorro que vi na rua eu pensei, mas não funcionou. Logo comecei a pensar em outras coisas, e esqueci que hoje eu escreveria um conto sobre um desconhecido.

Agora, veja só que irônico, acabei escrevendo um texto sobre mim, posso ser tudo, menos um desconhecido qualquer no ônibus. Aliás, apareço em praticamente todos os meus textos!

Mas que frustração, viu! Se ao menos eu lembrasse o que pensei para a moça…

***

Pois é, resolvi escrever um texto um pouco diferente pra variar, senti vontade. Sei que disse que esse post aqui seria o Picadeiro Público, mas sabe como é, dá muito trabalho fazer aquilo. Decidi então que farei Picadeiro apenas quando me der na telha, e não uma vez por mês como era antes, assim faço com mais bom gosto e evito de encará-lo como uma obrigação chata.

14 palhaçadas:

Mayara Buss disse...

ah, o picadeiro tão engraçado =P
ônibus sempre rendem alguma história... dessa vez eu contaria como travei a nova maquina de passe da tccc e o povo ficou me olhando torto \o/

Gabriela Petrucci disse...

Esse conto ficou TÃO a sua cara! Não sei porquê,mas enfim, ficou.


Gostei da ideia a respeito do Picadeiro! ;)




Beeeeeeijos! ♥

M. disse...

"Rosto de quem ri, mas ainda assim tem milhões de motivos pra chorar?"

Nem precisa escrever um conto sobre a moça que entrou no ônibus, só nessas duas linhas você me descreveu!
(ohh grande coisa, não é?)

Parabéns pelo texto!
www.words-can-say.blogspot.com

Sasha Portrait disse...

eh, todo escritor tem seus momentos de frustração. na verdade, as frustrações de quem escreve são quase contínuas, mas até isso pode virar um bom assunto, e apenas o rascunho de um projeto já pode se destacar por si só, essa é a graça. Achei bastante interessante a sinopse feita de cada passageiro.

Varda disse...

Cara,vc não poderia ter excluído o motorista só pq ele tem cara de chato..
Ele tbm é qualquer pessoa,se vc escolheu alguém então não é qualquer pessoa.É uma pessoa escolhida..
=D

Laurie. disse...

é uma droga quando vc começa a pensar em algo pra escrver e esquece, ultimamente tem acontecido muito isso comigo...acho que eu preciso de algum estimulo pra memória.

;*

Ana.K disse...

Que falta de passar aqui...
Tentando divagar entre as pessoas e acabando em si mesmo, muito digno...

Beijoooooos :*

Lari Reis disse...

Você eu não sei, mas eu sempre me frusto quando saio determinada a encontrar uma história sobre um assunto tal. Dai, quando eu bem desisto me aparece algo, mesmo que bem diferente do que eu tinha em mente e vira texto.

Vim passear nesse seu blog hoje ;D

E ah, qual música do Iron? rs

Bruno disse...

Eu sei que eu tinha que comentar sobre o texto (excelente, aliás) e tal, mas...

Você também ouve Iron no ônibus?

Virei teu fã.

Má Midlej disse...

Ai Miné, me ensina a fazer conto assim? Poxa, vode anda escrevendo melhor, sabia? huuum...
rs

Marcella Leal disse...

A moça renderia uma bela história, e eu faço pior que você Henrique, vejo crianças brincando no pátio da escola quando fico lá a tarde e paro pra imaginar quem eles serão no futuro... isso sem mencionar que chuto a personalidade das pessoas pelas mochilas que usam e deliro sobre o passado dos meus professores.
Enfim, eu gostava do Picadeiro, esperava por ele o mês todo, mas eu supero.

Beijo

Rafael disse...

Ontem eu vi um cara vendendo nhá benta e comecei a escrever uma história envolvendo nhá benta.

E não esquece de pedir pra sua mãe, sua vó, seu cachorro, seu vizinho, pra todo mundo votar no meu blog!! auhauhau
Abraço

Ana disse...

Vejo as pessoas caminhando na rua e imagino o que elas são e o que fazem, crio uma história legal e esqueço. Sempre assim, consequente, sabe? Gostei muito do texto, começou a traçar a moça e terminou traçando a si, enfim...
E não esquece de pedir pra sua mãe, sua vó, seu cachorro, seu vizinho, pra todo mundo votar no blog do Rafael! Hahaha.

Um beijo, Henrique :D

Au disse...

É muito bom quando escutamos uma frase, ouvimos uma música, ou alguém nos remete para um post pronto. Infelizmente não é sempre que acontece...

E você, como personagem principal da história ficou ótimo. Sempre com humor nos textos, eu gosto disso.


Abraço Henrique!

 

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