quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Fora de Hora

É estranho eu postar isso agora, mas é que só agora “fez efeito” em mim.

Dia das Crianças passou, e eu, que nunca fui muito de ligar para ele, fiquei, veja só, um tanto deprimido. Depressão que veio, acredito eu, de dois motivos, Primeiro: Eu não sou mais criança, e Segundo: O ano acabou. Mas calma que eu explico.

O fato de eu não ser mais criança não é assim tão simples, na verdade, nem sinto tanta falta de correr suado pela rua, comer bolacha e beber leite, e ter absolutamente nenhuma preocupação. Até porque, se formos ver por esse ângulo, pouca coisa mudou, bem ou mal eu não “envelheci”, eu amadureci, óbvio, mas isso não quer dizer que esqueci do meu “eu” infantil, ele ainda está vivo, e bem vivo. Isso tem muito a ver com quem eu sou, não que eu saiba exatamente isso, na verdade, às vezes eu me acho um poço de contradições, mas algumas coisas sobre mim eu tenho certeza, uma delas, que é a que importa aqui, é que eu sei que não preciso provar absolutamente nada, para ninguém, entende?

Eu não preciso fazer um blog sério ou, ao menos, “não palhaço”, ele não precisa ter um nome francês, e eu não preciso de um twitter para me manter sempre antenado com as últimas piadinhas sobre esse caos que chamamos de mundo, porque eu nem quero. Além disso, não tenho vergonha de dizer que, o café que mais gosto, depois do meu (e da minha mãe) é aquele de padaria, de setenta centavos, e não um com um nome gay do Starbucks, até porque nunca fui lá, e não faço a mínima questão de ir. Não preciso aprender a dirigir (melhor) escondido, para infernizar a minha mãe ou pegar o carro escondido e sair por aí achando que, agora sim, sou homem. Não preciso beber para dizer que não sou criança, muito menos não beber para posar de “adulto consciente”, porque juízo eu sei que tenho. Esse ano só li um romance, um único livro de literatura, e porque precisei para a falculdade, não me envergonho nem um pouco disso, muito menos de gostar de uma ou outra música sertaneja.

Não quero ser simpático com aquela amiga da minha amiga, porque ela é indiferente para mim, também não quero ser amigo do cara ao meu lado no ponto de ônibus, nem conversar com o velhinho na fila do banco, simplesmente porque, assim como todo mundo, as vezes eu não quero conversar nem comigo, não vejo porque mentir para mim mesmo e pior ainda, para os outros.

Tudo isso porque não preciso provar que sou inteligente, culto, simpático ou descolado para as pessoas, se alguém me achar tudo isso, que bom, se não achar, paciência, sou o que sou, tomando café de padaria e contando piadas bobas sobre meu cotidiano.

O isso tem a ver com o tema do post? Isso prova que, por um lado, não deixei de ser criança, afinal, as crianças não se preocupam com esse tipo de coisa. Mas, por outro, que é o que me deprime, hoje eu tenho dezessete anos, e não mais onze.

Isso prova que o tempo passou, correu, junto com ele o ginásio cheio de surras e humilhações e o Ensino Médio cheio de piadas. Alguns amigos eternos e inimigos mortais, amores não e mal correspondidos. Tudo isso se foi, virou lembrança, e às vezes nem isso, tudo da minha infância.

Aí vem o segundo motivo: O ano acabou. E é impressionante, mas já me esqueci de muita coisa dele, mesmo que tanta coisa tenha acontecido. Algumas, óbviamente,  me marcaram para sempre, e quem participou delas sabe disso muito bem, mas existem outras que, na hora pareceram eternas, e hoje não passam de um borrão na minha memória.

No fundo, o que me deprime é isso, será a eternidade tão curta assim? Ou será que sou eu que preciso de ajuda?

Que venha 2011, e que ele me responda.

***

Desculpe o post confuso e com cara de Daquilo que Não se Vê, é que, do nada precisei desabafar, e, sabe-se lá porque, achei que o lugar fosse aqui. Próximo post é o Picadeiro Público. Se você achar algum erro gramátical, ou coisa do tipo, por favor releve, esse texto eu simplesmente escrevi, do jeito que minha mente e dedos cansados quiseram.

10 palhaçadas:

Mayara Buss disse...

sabe, eu não tenho saudades da minha infancia.. uma certa nostalgia, as vezes, mas como vc disse, eu não perdi meu ser infantil, mas por outros aspectos, mas tbm pq criança não tem mto opinião, não tem mta autonomia, eu acho a liberdade q nos condena aos compromissos e a responsabilidade dos nossos atos mais saborosa.
e eu não converso com o cara do ponto de onibus, nem a amiga da minha amiga etc pq eu sou antipatica, qndo eu começo a falar nao paro mais, mas ateh eu começar... =P

Mayara Buss disse...

vc faz o texto ao estilo do 'Daquilo que não se vê' por aqui pra só expor o sentimento sem poetizar, ou pra cita-lo e fazer uma promo? =P bricadeirinhaaa

Mayara Buss disse...

Respondendo seu comentário no meu blog [aqui e lá]
adotei essa tecnica, como no seu Picadeiro público, jah q eu não tenho tantas visitas assim..


"HAUhauhUAHuahuAHUhauHAUauhUAHUahuHAUH

qndo vi o comentario do Paulo pensei q não deveria haver uma competição pra saber quem é pior, e ele não deveria expor pontos pra querer ganhar, mas com essa possibilidade exposta pelo Henrique eu ri feliz, d não ser tão azarada, e da desgraça alheia, ainda q nem tenha acontecido"




PARA DE FALAR MAYARA!

cecilia disse...

É dois motivos bons pra ficar deprimido.Acho que uma grande maioria sente falta da infancia,pois nem precisava de muita coisa pra ser feli,só bastava uma bolacha e um copo de leite.O ano acabou e nada de muito bacana aconteceu...é ter dezessete anos faz mal.
Beijo.E espero que 2011 responda

Marcella Leal disse...

Por incrivel que pareça os momentos menos importantes, como um banho de chuva no meu aniversário ou uns dias na casa da minha avó, são os que eu mais me apeguei... e é ruim ver que o ano está acabando porque percebi o tanto que ele valeu pouco a pena, mas bom, porque ano que vem tem aquele gosto de recomeço.
Pô, passo da hora do Picadeiro...

Beijos

Gabriela Petrucci disse...

Hoje o Gelson disse que eu só tenho mais um mês e quinze dias de aula, isso me assustou. E me entristeceu MUITO.
Mas não porque a escola vai acabar e eu vou sentir falta das pessoas e sim porque as coisas foram estranhas. Eu me deprimo cada vez mais quando entro naquele colégio.

E assim, se não fosse você na minha vida esse ano, eu já teria enlouquecido, ou cortado os pulsos... Me imagino que nem o Tarso, sabe?

Mas enfim, te amo!

;@:

Au disse...

"Assim como todo mundo, as vezes eu não quero conversar nem comigo, não vejo porque mentir para mim mesmo e pior ainda, para os outros".

Acho que amadurecer tem disso mesmo, você descobre quem é, a que veio e não tem a intenção de provar nada para ninguém.
Eu não sinto falta da minha infância, talvez eu queira voltar aos meus 16 anos, só estudava, dormia a tarde, saia quase todos os dias e, melhor, não tinha preocupação nenhum!

Ótimo texto, mesmo... Faz todo mundo pensar em uma série de coisas!


Abraço!

Alysson disse...

Adorei o texto, adoro a forma simples como você consegue escrever, faz a gente se sentir em casa. Nós, seus leitores, começamos a ler um texto e não conseguimos parar de lê-lo. Também adorei essa versão sentimental do texto e foi bom pra eu poder conhecer o seu outro blog. Parece que você se dá bem em todos os estilos, escreve sabendo e gostando do que faz. Parabéns!

Jéssica Trabuco disse...

Assim, quando penso na minha infância eu dou uma rizada sozinha, sinto uma alegria bacana.. mas não sinto saudades assim não. Na verdade eu passei a minha infância toda sonhando com essa etapa da minha vida, de faculdade, trabalho, maior idade... E como vc falou, e eu até postei algo que tem a ver no blog, não temos que nos preocupar com o que os outros vão dizer de nós e das nossas escolhas, temos que simplesmente ser sabe? Temos muito pouco tempo, temos que correr para sermos felizes e não para tentarmos ser o que as pessoas acham melhor.
E fique à vontade de desabafar aqui tbm, o blog é todo seu ;)

Clariano disse...

Deu saudade de ler isso aqui!
E é, já vai fazer um ano que passei minha melhor virada de ano, mas que a próxima seja melhor.
Vem final de ano, e com ele, aquela velha angústia de final de tarde. Não sei se pra você, mas pra mim...

Não somos mais crianças, mas também ainda não somos adultos.

Abraço
Amigo Eterno.

 

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